quinta-feira, 24 de setembro de 2015

MULHER

Mulher de todo jeito,
Mulher de qualquer forma,
Mulher é pra se carregar no seu peito,
Não há mulher pra se jogar fora.

Mulher que cuida da dispensa,
Que cuida das crianças.
Mulher que sustenta
Enquanto o marido descansa.

Mulher que não nasceu mulher.
Mulher com atitude, independente,
Mulher que faz o que quer
Sem precisar esperar vir da gente.

Mulher com peito grande,
Mulher com peito pequeno,
Mulheres são para todo instante,
Para qualquer homem que, por elas, seja atento.

Mulher tímida ou desinibida,
Mulher ao natural ou que se arrume,
Mulher que goste de bebida
Ou até mesmo que fume.

Mulher pra quem tiver amor pra dar
E anel pra dividir.
Até mesmo àquelas que não querem casar,
Que só preferem se divertir.

Mulher do cabelo enrolado,
Mulher do cabelo liso,
Preto, loiro, ruivo ou pintado,
Mulher pra qualquer sorriso.

Mulher gordinha ou magrela,
Mulher com corpo de violão,
Não importa a forma ou o número dela
Quando o que pesa é o coração.

Mulher com cor de café,
Mulher com cor de leite,
Não importa qual cor que é,
Qualquer mulher é um deleite.

Mulher para uma mulher,
Mulher para um homem,
Mulher para quem ela quiser,
Para quem a faça se sentir mulher.

Mulher para ser mulher do jeito que ela quiser,
Você pode negar até a morte
Ou mudar com a maré,
Mas sua vida de nada seria, nada valeria,
Se não fosse por uma mulher.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

RATOEIRAS

Nas ruas os homens estão correndo como ratos.
De quê ratoeira estamos correndo?
Para qual ratoeira estamos correndo?
Cadê o sagrado queijo de amanhã?
E todos os donos de corporações,
Todos os chefões e superiores de mesa de escrivaninha
Estão sentados como gatos entediados,
Com suas caudas abanando,
Derrubando funcionários da mesa com suas patas.
Para qual ratoeira estamos correndo?
De quê ratoeira estamos correndo?
Subjugados entre os canos
Da moradia de um ser humano qualquer.
"Querido, está ouvindo esse barulho nas paredes?
Acho que temos ratos!"
Acho que temos ratos, cavalheiros,
Acho que somos ratos.
Mas de que ratoeira estamos correndo?
Para qual ratoeira estamos correndo?
E nós, com nossos focinhos e bigodes tremendo,
Tentamos apalpar e reconhecer nosso ambiente,
Mas o mundo é muito rápido para essas calmarias e reflexões
E os gatos espreitam a toda esquina
Com suas garras e seu tédio infinito
Querendo usar nossas vidas
Como entretenimento.
"Querido, está ouvindo esse barulho?
Acho que somos ratos.
Mas de que ratoeira estamos correndo?
Para qual ratoeira estamos correndo?"

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

ALGUÉM

Alguém, que
Do fundo de um salão mal iluminado
Recite-me Shakespeare.
Alguém, que
Do alto de uma montanha nebulosa
Cante uma bela serenata em falsete.
Alguém, que
Com apenas um cadeado,
Se tranque à tantas chaves quanto uma virgem insegura.
Alguém, que
De um gramado frio e deserto,
Aponte-me as constelações de um céu noturno.
Alguém, que
Saiba me embriagar
Como o mais rude dos taberneiros.
Alguém, que
Ao fechar os olhos em sono,
Evoque a paz celestial dos anjos.
Alguém, que
Saiba adoçar meu café matinal
Com o mais doce e sincero sorriso.
Há tantos alguéns aí fora
Para um ninguém como eu.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

MEMÓRIAS SAUDOSAS DE UM ROMANCE INACABADO

Até hoje me recordo da doce mulher
Que por uma semana
Invadiu-me a casa e a cama.
A semana era nosso prazo de validade,
Pois o destino, dotado de maldade,
Fizera o desatino de fazê-la de outra cidade.
Ou talvez até fizesse-me um favor,
Pois, ao contrário, a memória perderia a cor,
E a lembrança do sexo insano
Já não me traria a mesma ânsia ou encanto.
Ela ficou o tempo que deveria ficar,
Até que o vento tratou de devolvê-la ao seu lugar.
E, assim, a memória permaneceu intacta
Assim como a beleza de nossa história,
Pois o tempo apenas mata.
Ela partiu antes que o tempo pudesse estragá-la
Antes que o convívio pudesse entediá-la.
Fazendo com que esse pífio poema
Seja doce e saudoso
Ao invés de doloroso ou rancoroso.
A falta de um desfecho
Fez com que a lembrança do seio e do beijo
Permanecesse doce eternamente,
Impedindo que a foice do tempo
Ceifasse este meu saudoso lamento.

terça-feira, 25 de agosto de 2015

NERUDA

    Depois de uma viagem de quase três semanas pelo Chile, eu vejo o que você tanto amava no lugar... As paisagens tão belas, esculpidas pela mão do divino; as altas montanhas com seus cumes de neve em pleno verão, os lagos cristalinos, esmeraldas; as matas, reservas naturais, florestas... Ah, o verde! Todo o verde e o azul do chile me encantaram! Isso sem contar os pinguins, as lontras, os pássaros, as uvas e o vinho, o tão famoso vinho chileno.

    Te entendo, meu bom mestre, e compartilho a mesma paixão por esta imaculada terra. É apenas uma pena que não pude visitar teu túmulo, olhar a praia de Isla Negra e ver o que você viu tantas vezes antes de escrever um poema. É uma pena que não pude botar uma garrafa de vinho ao seu lado e bater um papo. Foi um ser que tanto expressou pelo amor e pela natureza que eu sinto que tudo que eu poderia conversar sobre você seria apenas ouvindo, não ousaria abrir a boca pra discutir poesia contigo, apenas ouviria e aprenderia o que apenas teus livros não podem ensinar. Mas em uma coisa poderíamos trocar palavras, o amor, pois qualquer homem, independentemente de poeta, música, classe social, ou qualquer coisa... Qualquer homem pode levantar-se para discutir amor.

    Invejo os que puderam debater tão nobre sentimento com você, eu teria tanto para conversar. Você falaria Matilde e eu falaria Rayanne, iríamos comparar esse divino bem-estar que é o amar e sentiríamos pena dos que não sabem amar, dos que não tiveram a sorte, assim como eu e você, de achar o amor verdadeiro. Você me diria que "Dois amantes felizes não tem fim nem morte, nascem e morrem tanta vez enquanto vivem, são eternos como é da natureza." E eu tentaria chegar aos pés declamando que "o amor é o sentimento mais nobre do homem, é uma faca de dois gumes para os que não sabem amar, é o veneno que mata ao primeiro beijo. Mas, para os sábios, os humildes, para aqueles amam a pessoa independentemente do eu, é o santo graal, a fonte da juventude a dar vida nova por cada olhar apaixonado". Você, com sua poesia anciã e de barbas brancas, riria da poesia engatinhada, mas talvez concordasse comigo, pois, afinal, sabemos que o amor é o maior sentimento que podemos ter.